Blog do Paulus: Parte 3 - Solucionando Problemas na Venda e Adaptação de Óculos

Parte 3 - Solucionando Problemas na Venda e Adaptação de Óculos

Matéria escrita por Paulus Maciel. Direitos Reservados.

Seguindo com nossa série de matérias sobre solução de problemas na venda e adaptação de óculos, vamos abordar nessa terceira parte uma queixa comum dos usuários de óculos: lentes que sujam facilmente.

Baseado nos anos de experiência no atendimento ao óptico, laboratório e consumidor; relaciono as 5 causas mais constantes que podem levar as lentes de óculos sujarem com facilidade:

  • Ausência da tecnologia protetora
  • Lentes de longa utilização
  • Reflexo residual evidencia sujeira
  • Distância vértice inadequada
  • Orientação inadequada quanto a limpeza
Muitos consumidores se queixam que suas lentes ficam sujas com facilidade devido a ausência da tecnologia que protege as lentes da sujeira excessiva. Por vezes a tecnologia está ausente porque o consumidor não quis adquirir, mas em boa parte das ocasiões, o consumidor não adquiriu porque o profissional óptico não ofereceu ou não souber argumentar de forma convincente sobre os benefícios das tecnologias protetoras.

As tecnologias protetoras de sujeiras disponíveis no mercado são:
  • Anti aderente comum. Tecnologia protetora de performance básica, normalmente encontrada em lentes antirreflexo genéricas. Apenas deixam a superfície da lente menos aderente, facilitando o deslizar do lenço durante a limpeza. Costumam aderir facilmente a gordura e marcas de dedos. Apesar do preço baixo, não tem uma relação custo x benefício interessante para o consumidor.
  • Hidrofóbica ou Hidrorrepelente. Tecnologia protetora de performance que varia de intermediária a avançada, dependendo da matéria prima utilizada pelo fabricante. Uma ótima matéria prima encontrada em hidrofóbicos de qualidade é composta por moléculas fluoradas, pois é sabido que o flúor possui um coeficiente de atrito muito baixo, o que significa uma superfície de lente super lisa de limpeza extremamente fácil. Um ótimo exemplo disso é a matéria prima do "Teflon", marca de qualidade reconhecida em todo o mundo, que é derivada de um composto de flúor chamado "PTFE". Hidrorepelentes fluorados de alta qualidade acumulam também propriedades oleofóbicas.
  • Oleofóbica ou Liporrepelente. Tecnologia derivada dos hidrofóbicos de alta performance que além de repelirem água com facilidade, repelem também sujeiras mais oleosas e dificultam a permanência mais evidente de marcas de dedos nas lentes. Uma lente com ótima proteção contra sujeiras deve ter tanto o hidrofóbico quanto o oleofóbico em sua composição. Consulte seu fabricante, pois todo o oleofóbico é hidrofóbico, mas nem todo hidrofóbico é oleofóbico, portanto fique atento em relação as disponibilidades.
  • Antiestática. Tecnologia que dificulta a atração de poeira na superfície da lente. Este atributo é encontrado nas lentes antirreflexo mais completas do mercado. A ação antiestática gera uma camada que neutraliza o campo elétrico (energia estática) que nós geramos quando limpamos as lentes do óculos a seco, friccionando um lenço na superfície das mesmas.
Uma lente antirreflexo com proteção completa contra sujeiras deve conter hidrorepelente, oleofóbico e antiestático. Para conhecer essas características encontradas nas melhores marcas de antirreflexo do mercado, acesse a minha matéria "Diferenciando as marcas de antirreflexo" que se encontra aqui, no Blog do Paulus.

Independente da tecnologia protetora que o cliente adquirir, o mesmo deve estar ciente dos cuidados necessários na limpeza e manuseio de seu óculos, assim os termos das garantias dos fabricantes estarão válidos e preservados.

A durabilidade dos benefícios das tecnologias protetoras varia conforme a qualidade da matéria prima aplicada aos produtos. Baseado na minha experiência, cito abaixo, a durabilidade média das tecnologias quando o manuseio e limpeza do óculos é feita corretamente, porém com desgaste provocado por situações cotidianas. Após o período descrito abaixo, a performance da tecnologia diminui gradativamente:
  • Anti Aderente genérico: 6 meses
  • Hidrofóbico: 6 meses a 1 ano
  • Hidrofóbico e oleofóbico: 1 ano a 1 ano e meio
  • Hidrofóbico, oleofóbico e antiestático: 1 ano e meio a 2 anos
O argumento exposto acima afirma que, lentes com uma utilização mais longa do que a média apresentam uma performance de limpeza abaixo do esperado, ampliando assim a possibilidade de reclamação do cliente quanto a dificuldade de limpeza. 

Quanto mais as lentes são limpas a seco, mais rápido é o desgaste das camadas protetoras contra sujeira, portanto a melhor recomendação que se pode dar ao consumidor para que a durabilidade da proteção seja aceitável é lavar as lentes com água fria e detergente neutro sempre que possível. Daqui a pouco volto no assunto "lavagem dos óculos".

O "fator visual" também influencia o consumidor a reclamar que suas lentes ficam sujas com facilidade. Uma lente antirreflexo por si evidencia mais a sujeira, já que os reflexos que a escondia foi reduzido. Afinal de contas, o que suja mais uma calça branca ou uma calça preta?. Ambas sujam da mesma forma, porém a branca aparece mais a sujeira. Na nossa realidade "a calça branca" é a lente antirreflexo.

A sujeira pode ficar ainda mais evidente em lentes antirreflexo cujos reflexos residuais sejam de maior intensidade. Na foto ao lado temos reflexos residuais de diversas intensidades, onde podemos perceber que a sujeira aparece mais nas lentes de residuais mais intensos, independente da cor ser verde ou azul.

Na venda preventiva, precisamos oferecer sempre lentes antirreflexo com maior durabilidade das tecnologias protetoras e também precisamos dar preferência as lentes com reflexos residuais discretos, que evidenciam pouco a presença de sujeira. 

Outro fator que pode fazer com que as lentes de óculos fiquem sujas com grande facilidade é o contato dos cílios do consumidor nas faces internas das lentes de seus óculos, principalmente se estes cílios receberam maquiagem.

Normalmente quando um consumidor experimenta um óculos, ele pisca menos vezes, pois ele está em estado de atenção em frente ao espelho. Neste caso, peça para seu cliente piscar de duas a três vezes e pergunte a ele se os cílios estão tocando as lentes. Somente após esta pergunta, ajuste a distância vértice.

Precisamos dar atenção especial as mulheres, pois elas tem normalmente cílios mais longos. Antes do ajuste da distância vértice, observe se ela está usando o rímel (maquiagem que costuma alongar os cílios). Caso esteja usando o rímel, ajuste a distância vértice normalmente, mas se a sua cliente não estiver de rímel, ajuste a distância vértice com uma folga de no mínimo 2mm, assim os cílios, quando maquiados, não tocarão as lentes, sujando-as com maior facilidade.

Quanto a orientação sobre limpeza, não existe mistério:

  • Lave as lentes com água fria e detergente líquido neutro de boa procedência, no mínimo uma vez por semana.
  • Seque as lentes com lenço de papel ou papel higiênico bem suave e macio.
  • O uso de "limpa lentes" deve ser tratado como uma lavagem provisória das lentes quando não há água corrente e detergente disponíveis. Sempre que possível lave as lentes ao invés de usar o "limpa lentes"
  • Não use na limpeza qualquer tipo de produto que não seja o detergente, portanto nada de sabão de coco, sabão em barra, sabão em pó, shampoo, condicionador, sabonete com creme hidratante etc.
  • Use apenas de uma a duas gotinhas de detergente em cada face das lentes. Espalhe com os próprios dedos ou com um algodão. Nada de escovinhas os palha de aço do tipo "bombril"
  • Usar mais de duas gotas de detergente, por incrível que pareça, vai engordurar muito a lente, dificultando o enxague com água fria e corrente.
  • Na limpeza a seco das lentes evite usar lenços de papel ou papel higiênico, por mais macios que sejam. Use o lenço de microfibra que normalmente acompanha as lentes os os "lenços mágicos" que são comprados a parte. Dê preferência aos "lenços mágicos" pois os mesmo são laváveis, portanto reaproveitáveis.
  • Lave seu "lenço mágico" separadamente numa pia com água fria e detergente neutro. Esfregue com cuidado e após o enxague, deixe de molho num recipiente com água para a saída total do detergente. Seque naturalmente no varal de roupas.
  • Desde que as lentes antirreflexo sejam de qualidade, as mesmas podem ser lavadas em equipamentos de ultrassom, sem problemas.
Na quarta parte da série de matérias sobre solução de problemas na venda e adaptação de óculos, o tema será "Halos brancos e coloridos nas lentes".

As imagens contidas nesta postagem são meramente ilustrativas.

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