Blog do Paulus: Parte 5 - Solucionando Problemas na Venda e Adaptação de Óculos

Parte 5 - Solucionando Problemas na Venda e Adaptação de Óculos

Matéria escrita por Paulus Maciel. Direitos Reservados.

Nesta quinta parte da série de matérias sobre solução de problemas na venda e adaptação de óculos, vamos falar sobre queixas dos usuários em relação a alteração de nitidez na visão de longe.

Baseado nas minhas experiências práticas na solução deste problema, apresento abaixo as causas mais frequentes para esta queixa:

  • Curva base
  • Ajustes na armação
  • Altura de montagem
  • Dioptria confeccionada
  • Refração
Atualmente, os usuários de produtos surfassados tem a disposição uma boa variedade de materiais de lentes, de diversos fabricantes. Na intenção de oferecer sempre o melhor para seu cliente, o consultor óptico pode vender lentes de materiais diferentes, cujas curvas bases podem ser bem distintas em relação a lente atual do usuário.

Na foto ao lado, temos duas grades de lentes, uma para resina 1.49 e outra para resina 1.67. Vamos imaginar agora um usuário de lente surfassada com esférico plano e cilíndrico de -2,50. Esta dioptria na grade de um surfassado de índice 1.49 a curva base cadastrada no cálculo de surfassagem será 6,25.

A maioria dos usuários de lentes surfassadas estão acostumados a usar o material CR39. Vamos supor que este usuário de plano com -2,50 cilíndrico, compre uma lente 1.67 surfassada. A curva base cadastrada no cálculo de surfassagem para este índice é de 4,25, portanto 2 pontos de curva abaixo do que o cliente está acostumado. Isso gera, com certeza, alteração de nitidez na visão de longe.

Na linguagem do usuário, ele vai se queixar que a imagem não está nítida como no óculos antigo, mas não se trata de falta de nitidez propriamente dita e sim de alteração de contraste visual devido a alteração brusca de curva base.

Esta situação é muito fácil de se lidar na venda preventiva, basta ter um esferômetro na loja. 

Quando eu pergunto para alguns colegas se eles tem esferômetro na loja, muitos me respondem: "eu não tenho laboratório, para que eu quero um esferômetro?". A resposta foi dada acima. O esferômetro é essencial em toda loja, ainda mais aquelas que trabalham uma maior valor agregado na venda de lentes de médio e alto índice.

Sempre quando for vender uma lente surfassada, anote no prontuário do cliente a curva base das lentes de seu óculos atual, assim você poderá solicitar uma lente com índice maior, porém com uma curva base semelhante a que o cliente está acostumado.

Vamos voltar caso do nosso amigo plano com -2,50 de cilíndrico, acostumado com CR surfassado. Para atende-lo, vamos medir sua curva base atual, supomos que encontramos 6,25. Na hora de pedir a lente ao laboratório, podemos agora solicitar a surfassagem de uma lente 1.67 com curva próxima a 6,25, que no caso é 6,00 (veja as grades acima).

Manter a curva base é uma das alternativas para a solução deste problema, a outra é adaptar uma curva diferente e aguardar a adaptação do usuário ao novo contraste visual. Isso pode durar de 3 a 10 dias. Caso seu cliente seja de mais idade ou de pouca paciência, sugiro manter o valor da curva do óculos anterior no óculos novo. Já presenciei casos do cliente desistir da compra e pedir o dinheiro de volta por causa desta "alteração de contraste" mesmo o óptico dizendo a famosa frase "isso é questão de tempo, você vai se acostumar, só mais uma semana..." (quem nunca disse essa frase, né?).

Outro fator que pode contribuir para a alteração de nitidez na visão de longe são os ajustes de armação, principalmente os exagerados.

O ajuste de ângulo pantoscópico, também conhecido como inclinação, se tornou praticamente um "ato obrigatório" para um consultor óptico em cada venda de óculos. Que aproveitar a oportunidade para quebrar este mito.

A inclinação da armação só é útil para presbitas ou hipermetropes usuários de lentes monofocais. Míopes não presbitas enxergam muito bem para perto sem o óculos e quando a inclinação é feita, esse "privilégio" do cliente míope desaparece. Resultado, ele começa a tirar o óculos toda hora para ler, ou fazer uma refeição, por exemplo. Para míopes não presbitas não incline a armação e deixe ele enxergar para perto fora dela.

Agora no caso dos presbitas, principalmente aqueles adaptados a armações pequenas e hipermetropes, é necessário fazer o ajuste do ângulo pantoscópico, que deve ser o mais sutil possível, pois quanto mais você inclina a armação, melhor será a amplitude da área inferior da lente, mas a visão de longe do usuário terá alteração de nitidez devido a indução de prisma gerada na inclinação do aro.

As lentes personalizadas ou individualizadas, precisam da informação sobre quantos graus de inclinação foram executados, pois o cálculo de surfassagem da lente irá compensar o prisma gerado nesta inclinação, restabelecendo a precisão visual exigida na prescrição. Caso você venda este tipo de lente, fique despreocupado, mas se vender uma lente convencional, não exagere na inclinação. 12° no máximo.

Para medir o ângulo pantoscópico, peça ao seu fabricante de lente a "régua" especial para a medição do ajuste. Caso o cliente já esteja acostumado com uma determinada inclinação, mantenha esse ajuste fielmente no óculos novo do cliente, desde que não seja exagerado (acima de 12°).

A altura de montagem também pode influenciar na alteração de nitidez da visão de longe, tanto para multifocais quanto para lentes monofocais asféricas.

Caso a altura de montagem de uma lente multifocal fique acima da pupila, o usuário irá enxergar para longe através da "passagem de grau", alterando a nitidez, já que esta graduação não é a prescrita para o campo de longe do usuário. Caso a armação tenha plaquetas, ajuste-as para que a cruz de montagem desça para a pupila, mas se a armação for de acetato e estiver bem ajustada, não tem jeito, você vai ter que fazer lentes novas para o cliente.

Conversamos também sobre alteração de nitidez para longe devido a mudança de curva base de lentes surfassadas. No caso de lentes prontas asféricas de visão simples, quando o usuário está muito acostumado a uma determinada curva e ele começa a usar uma curva bem diferente numa lente acabada de maior índice, a única forma de acostumá-lo rapidamente a nova lente é, na venda preventiva, ajustar a armação; medir a altura pupilar e solicitar que esta medida seja montada no óculos 4mm abaixo. Desta forma, o usuário irá enxergar através de uma curvatura diferente em relação a do centro óptico, o que resulta numa facilidade muito interessante na adaptação, baseado nas minhas experiências prática. Não faça esse procedimento em lentes de curva esférica, ok?.

Se você tomou todos os cuidados necessários descritos nesta matéria e o seu cliente continua percebendo alteração de nitidez na visão de longe, faça a lensometria e verifique se a graduação solicitada ao laboratório foi executada na lente. Se as dioptrias não estiverem de acordo com as tolerâncias ópticas, peça ao laboratório a retificação deste serviço. Caso você não tenha a tabela de tolerância óptica em sua loja, clique AQUI  para fazer o download do arquivo.

Na lensometria, foi percebido que as dioptrias estão de acordo com o solicitado, o que fazer?. Peça um laudo de confecção da lente ao laboratório e sugira ao seu cliente que retorne ao profissional que fez sua refração.

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