Blog do Paulus: Entendendo as Lentes Anti Fadiga

Entendendo as Lentes Anti Fadiga

Matéria escrita por Paulus Maciel. Direitos Reservados.

A avalanche de novidades em lentes para óculos nos últimos anos sacudiu o mercado óptico brasileiro, porém com tanta informação chegando em tão pouco tempo, algumas ótimas ideias não foram absorvidas pelo profissional óptico como mereciam. Entre essas ideias estão as lentes redutoras da fadiga visual.

Meu objetivo nesta matéria é compartilhar meu conhecimento teórico e prático sobre essa tecnologia inovadora em lentes para óculos. Lembro que citei meu conhecimento prático pois já fui usuário deste tipo de lente por mais de dois anos.

Quando andamos bastante de bicicleta, os músculos de nossas pernas se cansam e logo surgem os sintomas dessa fadiga como a dor, por exemplo. O mesmo acontece com quem carrega peso no trabalho ou fazendo exercícios físicos.

O "peso" que os músculos de nossos olhos carregam é o esforço feito durante o processo de acomodação, isso é, toda vez que precisamos enxergar para perto, esses músculos se movimentam mudando a forma do cristalino deixando-o mais positivo para a focagem adequada na distância acessada. Estima-se que esta ação muscular é repetida em média 100.000 vezes ao dia. Quando a ação de acomodação é repetida ou mantida mais do que esta média surge a fadiga visual.

Os sintomas da fadiga visual são conhecidos clinicamente como "astenopia" onde a pessoa apresenta dor ao redor dos olhos, ardência, coceira nas pálpebras, dor de cabeça e a visão de perto alternando dentro e fora de foco. Esses sintomas são muito semelhantes a outros tipos de fadiga visual que podem ocorrer por fatores ambientais tais como ar condicionado e poluição. O profissional de refração deve estar atento durante a anamnese para descobrir se esta fadiga é ambiental ou ocupacional, esta última ocasionada pelo esforço de acomodação.

A fadiga visual causada pelo esforço de acomodação está presente na vida de pessoas com idades entre 16 e 40 anos, independente de serem ametropes, cujas atividades dependem muito da visão de perto, ocasionando os desconfortáveis sintomas acima apresentados.

Por décadas, o método para reduzir esta fadiga, principalmente nos emetropes é prescrever lentes monofocais para óculos com +0,50 em ambos os olhos com a recomendação de uso apenas em curtas distâncias. Este é o famoso "óculos de descanso".

O "óculos de descanso" é uma alternativa econômica, porém desconfortável para a redução da fadiga, já que a pessoa é obrigada a carregar o óculos para lá e para cá quando esta enxergando para longe além do tira e põe dos óculos e a visão desfocada em distâncias maiores.

Pensando neste nicho, os fabricantes de lentes desenvolveram produtos de tecnologia para a redução da fadiga visual ocupacional, as chamadas "lentes anti fadiga".

As lentes anti fadiga produzem as dioptrias positivas necessárias na redução da fadiga apenas na parte inferior das lentes (onde ocorre o esforço na visão de perto), deixando a área superior plana ou com a dioptria de longe do usuário. O uso do óculos é bem mais confortável, já que evita o tira e põe além de garantir foco em todas as distâncias. Essa tecnologia é semelhante a das lentes multifocais, porém no lugar das adições (1,00 a 3,50) são oferecidas dioptrias que variam entre +0,50 e +0,75 na área inferior das lentes.

Apesar de possuírem tecnologia semelhante as lentes multifocais, as lentes anti fadiga não viciam de forma alguma os não presbitas portadores de fadiga e sim proporcionam uma completa solução para a redução deste desconforto tanto para míopes e hipermetropes quanto para emetropes.

Vamos pensar num míope de -1,00 esférico em ambos os olhos utilizando lentes anti fadiga +0,60. Quando ele enxergar para longe, nada vai mudar, pois a correção de -1,00 estará na área centro superior da lente, porém quando este míope enxergar para perto, ao invés -1,00 ele enxergará -1,00 + 0,60 = -0,40 dioptria. Com a redução da correção da miopia na área inferior da lente, o usuário tem sua fadiga visual controlada. O míope que não é presbita enxerga muito bem para perto, tanto que eles gostam de tirar os óculos para enxergar em distâncias mais curtas. Com a utilização das lentes anti fadiga, a maioria dos míopes não tiram mais o óculos para ler ou almoçar, já que essas lentes reduzem automaticamente a correção da miopia na área inferior das mesmas. Em suma, redução da fadiga com máximo conforto.

Agora, vamos pensar num hipermetrope de +1,00 esférico em ambos os olhos utilizando lentes anti fadiga +0,60. Quando ele enxergar para longe, nada vai mudar, pois a correção de +1,00 estará na área centro superior da lente, porém quando este hipermetrope enxergar para perto, ao invés +1,00 ele enxergará +1,00 + 0,60 = +1,60 dioptria. Com o reforço da correção da hipermetropia na área inferior da lente, o usuário tem sua fadiga visual controlada. O hipermetrope que não é presbita já não enxerga tão bem para perto, tanto que muitos mudam bastante a postura do corpo para enxergar em distâncias mais curtas. Com a utilização das lentes anti fadiga, a maioria dos hipermetropes sentem melhora na postura corporal para executar diversas atividades, já que essas lentes reforçam automaticamente a correção da hipermetropia na área inferior das mesmas. Em suma, redução da fadiga com máximo conforto, também para hipermetropes.

Finalmente vamos pensar num emetrope não presbita utilizando lentes anti fadiga +0,60. Quando ele enxergar para longe, nada vai mudar, pois ele não terá correção na área centro superior da lente, porém quando este emetrope enxergar para perto, ao invés "plano" ele enxergará plano + 0,60 = +0,60 dioptria. Com a indução de +0,60 dioptrias na área inferior da lente, o usuário terá sua fadiga visual controlada e com máximo conforto, já que não vai ficar tirando e pondo o óculos a toda hora além de ter a visão desfocada em distâncias mais longas.

Algumas empresas já começam a oferecer no Brasil lentes anti fadiga digitais freeform, onde a dioptria na área inferior da lente pode ser  +0,75. A opção de +0,75 é muito bem vinda para quem tem pouca míopia e quase 40 anos de idade, onde lentes +0,60  produziriam pouco efeito na redução da fadiga. Por ser freeform, existe a opção de utilizar um bloco de visão simples fotossensível para confeccionar a lente, o que resolve a falta de oferta deste produto nesta tecnologia. Seria excelente se algum fabricante "de ponta" pudesse trabalhar esta lente em free form para a produção em larga escala. Em larga escala, por enquanto só a anti fadiga tradicionais.

A tomada de medida para lentes anti fadiga é bem simples, necessitando apenas da altura pupilar e DNP de longe, mais medida e tipo da armação para a confecção das lentes a serem surfassadas.

Sob o ponto de vista comercial, as lentes redutoras da fadiga são excelentes produtos de valor agregado, pois no "pacote" são vendidas armações melhores (o usuário vai ficar o tempo todo com o óculos) e  também tratamento antirreflexo premium com maior resistência a riscos e sujeiras.

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