Blog do Paulus: Entendendo receitas com prisma

Entendendo receitas com prisma

Matéria escrita por Paulus Maciel. Direitos Reservados.

Atendendo a pedidos enviados por e mail, esta matéria será realizada com o objetivo de auxiliar o profissional óptico, principalmente aquele que trabalha balcão, no entendimento de uma receita de cliente com prescrição de prismas.

Primeiramente é importante compreender o conceito de prisma. Em linguagem didática, prismas são meios transparentes cujas suas superfícies (lados) não são paralelas entre si.

Na foto abaixo temos a ilustração de um prisma. Quando a luz branca (white) refrata (ultrapassa) um prisma, ela se decompõe nas cores do espectro, além de sofrer alteração em sua trajetória para a base do prisma.


Toda a lente que possui dioptria é uma lente que se originou da união de dois prismas.

Observe a junção de prismas para a formação de lentes positivas convergentes e lentes negativas divergentes na ilustração abaixo.

Uma lente positiva é resultado da união de dois prismas através de suas bases. Como a luz refrata normalmente e se projeta em direção a base do prisma, nesse tipo de lente a luz possui uma trajetória convergente, por isso que chamamos as lentes positivas de "lentes convergentes". A convergência da luz faz com que o nosso organismo perceba o efeito de magnificação da imagem. Sob o ponto de vista estético, as lentes positivas são mais espessas no centro justamente porque elas são formadas pela junção das bases dos prismas.

Já uma lente negativa é resultado da união de dois prismas através de seus ápices. Como a luz refrata normalmente e se projeta em direção a base do prisma, nesse tipo de lente a luz possui uma trajetória divergente, por isso que chamamos as lentes negativas de "lentes divergentes". A divergência da luz faz com que o nosso organismo perceba o efeito de diminuição da imagem. Sob o ponto de vista estético, as lentes negativas são mais espessas nas bordas justamente porque as bases dos prismas não estão próximas e sim opostas.

Uma receita que possui a prescrição de prisma significa que é necessário adicionar prismas além dos que foram utilizados normalmente para a fabricação das lentes positivas convergentes e negativas divergentes descritas acima.

Adicionar prismas, nada mais é do que modificar os ângulos que geraram as superfícies não paralelas do prisma, no popular, isso significa que algum lado da lente terá sua espessura aumentada para modificar a trajetória normal da luz refratada na lente.

A receita com prisma é sempre acompanhada da dioptria prismática prescrita e sua orientação. Orientação é a parte da lente que o laboratório terá de modificar o ângulo de formação da superfície para justamente naquela região proporcionar a trajetória diferenciada da luz que refratará na lente solicitada.

Em algumas receitas existe um espaço já reservado para a anotação de prismas, porém na maioria delas o prisma é prescrito na próprio campo de observações da receita. Por esta razão não vou colocar uma foto de receita neste momento. (risos)

As dioptrias prismáticas assim como as esféricas e cilíndricas são normalmente escalonadas de 0,25 em 0,25, porém são acompanhadas de um símbolo em formato de triângulo, o que caracteriza que a dioptria como "prismática".

Exemplo: ∆ 2,00

A orientação pode ser feita de duas formas diferentes, por base ou por eixo.

Uma prescrição de prisma com orientação por base significa que a posição do prisma que precisa ser feita será prescrita pontualmente como "superior", "inferior", "temporal" ou "nasal". Exemplo: OD  2,00, base temporal. O exemplo dado quer dizer que a parte temporal da lente direita será o "alvo" da indução do prisma.

Uma prescrição de prisma com orientação por eixo significa que a posição do prisma deve ser feita precisamente em alguma das posições de um eixo completo. Exemplo: OD  2,00 a 45°O exemplo dado quer dizer que a posição de 45° da lente de correção para o olho direito será o "alvo" da indução do prisma.

Na foto abaixo temos a exemplificação das bases de prisma e as posições básicas de eixos da lente, conhecidas na receita como "tabo". (fonte do TABO no livro "Optica Passo a Passo" de José Hamilton Machado, editora Senac, página 52)



Com as explicações e exemplos dados acima, você pode compreender de forma rápida e objetiva sobre o que é prisma, qual o papel dele para a formação de lentes positivas e negativas, além da sistemática que envolve a prescrição de dioptrias prismáticas adicionais nas lentes.

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